The BRIEF

Que fim levou o fax, a tecnologia de enviar documentos impressos usando a linha telefônica?

Método de mandar cartas e contratos bombou em casas e escritórios na década de 1980, mas há anos ficou bem menos popular; relembre!

em 29/03/2025, 09:00
Que fim levou o fax, a tecnologia de enviar documentos impressos usando a linha telefônica?

Imagine a seguinte situação: você tem um documento impresso em mãos e precisa enviar para outra pessoa. A solução mais óbvia hoje em dia é tirar uma foto desse pedaço de papel e mandá-lo por canais como email, mensageiros ou via armazenamento na nuvem.

Porém, a solução mais usada para esse tipo de situação anos atrás envolvia o aparelho de fax, cujo visual para quem não viveu a época parece um estranho híbrido entre telefone fixo, scanner e impressora.

Por mais que hoje pareça obsoleto, o sistema de fax já foi essencial para áreas inteiras da sociedade. E, assim como outras tecnologias que já pareciam mortas para boa parte do público, ele segue com uma base fiel que ainda confia no formato mesmo com tantas outras opções no mercado. A seguir, veja como foi toda essa transição.

Como funciona um aparelho de fax?

O fax é uma forma de comunicação entre dois aparelhos eletrônicos que envia documentos em papel e usando a linha telefônica. O nome fax é uma redução de facsimile, palavra derivada do latim que significa "fazer algo parecido". Ou seja, um facsímile é uma cópia ou uma reprodução de um documento original em papel, como um livro, um contrato ou uma carta.

O funcionamento clássico dele é bastante intuitivo: primeiro, a pessoa que vai enviar um documento coloca a página física na abertura de leitura e digita o número telefônico que corresponde ao destinatário. Ao fazer a chamada, esse documento é puxado e escaneado pelo aparelho para ser convertido em dados.

O aparelho de fax do outro lado da linha recebe a solicitação, "atende" a ligação e começa a imprimir o resultado em um papel que fica armazenado no seu interior. Dessa forma, uma cópia muito parecida do documento original agora está em posse de outra pessoa.

A origem e o 'boom' do fax

Apesar do auge da popularidade ser apenas na década de 1980, a tecnologia de replicação de um conteúdo gráfico é bem mais antiga. Os primeiros registros datam de 1843, antes mesmo da invenção do telefone.

Foi o escocês Alexander Bain quem recebeu uma patente de um dispositivo formado por duas unidades, ambas com uma caneta especial na ponta de um pêndulo e uma conexão via telégrafo. Em vez de código Morse, o sinal enviado era de "pontos" por linha, que eram impressos em uma chapa.

O experimento de Bain não foi lançado, mas acabou aperfeiçoado ao longo dos anos seguintes por inventores como Giovanni Caselli, que construiu o primeiro modelo comercial em 1863, e Arthur Korn, que em 1902 conseguiu realizar a transmissão de fotografias por meios ópticos.

À direita, o protótipo da patente de Alexander Bain para uma transmissão de imagem via telégrafo. Ao lado, um retrato do inventor.
A patente de Alexander Bain, aperfeiçoada por outros inventores. (Imagem: Wikimedia Commons)

O fax começou a ser usado principalmente por jornais, revistas e agências de publicidade, que precisavam imediatamente de imagens enviadas por fotógrafos e repórteres de outras localidades. Aos poucos, ele também passa a ser adotado por governos para a troca de documentos, assim como escritórios dependentes de arquivos em papel.

A Xerox, responsável também pela criação da fotocópia, foi quem ajudou a consolidar o fax no meio corporativo. Ela lançou em 1964 a tecnologia de transmissão otimizada Long Distance Xerograph (LDX), dois anos depois consolidando esse domínio com o aparelho Magnafax Telecopier.

Um anúncio de revista de uma máquina de fax da Xerox, com o texto
O sucesso da Xerox que ajudou a massificar a tecnologia no meio corporativo. (Imagem: Reprodução/Xerox)

Na década de 1970, apenas cerca de 25 mil aparelhos de fax estavam em funcionamento, considerados caros e limitados em uso. O número ficou dez vezes maior na década seguinte e, em 1990, já passa de 5 milhões de unidades ativas.

Afinal, ainda existem aparelhos de fax?

Fabricantes japonesas como Canon, Epson, Panasonic, Brother e Toshiba dominaram o segmento ao lado de rivais ocidentais como a HP. Aos poucos, porém, o aparelho de fax começou a perder popularidade com a chegada de outros meios de comunicação e envio de imagens.

O uso de email, a melhoria da qualidade em câmeras compactas (e depois a dos smartphones) e até a maior aceitação de documentos digitais foi ganhando espaço. Fabricantes deixaram de lançar novos modelos, exceto por poucas exceções.

O serviço, porém, não deixou de evoluir em várias frente. No início da vida dos aparelhos de fax, por exemplo, os documentos eram impressos em um papel térmico que ficava em uma bobina no interior do aparelho. As cópias tinham pouca qualidade e, ao longo dos anos, foram substituídas por folhas sulfite comuns e, por fim, em cópias digitais.

Atualmente, o envio por modelos mais modernos, que parecem mais impressoras multifuncionais, pode ser feito até pela internet e usando arquivos digitais em vez de cópias físicas. Nem mesmo o dispositivo é necessário, já que plataformas como a eFax enviam esses arquivos até de um smartphone para um aparelho de fax.

Uma máquina moderna de fax da marca Brother.
Um aparelho moderno de fax que imprime, escaneia e faz fotocópias. (Imagem: Divulgação/Brother)

E, por incrível que pareça, ele ainda é usado em alguns setores. O Japão, também fã da tecnologia nostálgica dos disquetes, recorre ao fax inclusive em setores do governo. Profissionais da saúde, advocacia e do segmento imobiliário também preferem o formato para certos processos.

Essa insistência não é apenas teimosia: o fax é considerado mais seguro do que trocas por meios digitais, já que a conexão via linha telefônica é hoje menos visada por invasores. Além disso, o baixo custo e a intuitividade de uso são bem aceitos por quem tem menos familiaridade com tecnologias contemporâneas.

O fax, portanto, não deixou de existir completamente, apesar de ser cada vez mais raro ver um aparelho por aí. Essa forma de comunicação hoje é um nicho e está cada vez mais em desuso, mas o formato segue ativo e hoje é possível enviar documentos usando essa tecnologia até mesmo pela internet — justamente o serviço que tentou tomar o seu lugar.

Quer saber o que aconteceu com o Google Glass, os óculos inteligentes que prometiam revolucionar o mercado e sumiram de repente? Confira esse artigo especial no site do TecMundo!

Veja também